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24/03/15

Por falar em vozes femininas deslumbrantes...


... aqui está uma revelação relativamente recente no panorama musical folk contemporâneo que ameaça deixar a sua marca — Natalie Mering, que canta e toca a coberto da sigla «Weyes Blood», às vezes a solo, às vezes com uma banda de suporte. Para nos recordar que dentro daquilo que já é belo por definição, existem vários graus de alcance e profundidade.



Best for You — ao vivo, 2014

Just Give e Summer's Gone — ao vivo, sessão de estúdio, 2015

Some Winters, do álbum The Innocentsvideoclip oficial — 2014

08/03/15

I Believe in Angels

Diz-se que hoje é um dia especial, e andam por aí indivíduos de fato e gravata a oferecer flores na rua às mulheres. Como não quero ficar ausente dessa comemoração, aqui ficam algumas vozes femininas que muito prezo:


  Patsy Cline — Crazy — 1962

Joan Baez — Diamonds and Rust —1975


 Abba (voz de Agnetha Fältskog e Anni-Frid Lyngstad) — The Winner Takes it All — 1980


The Seekers (voz de Judith Durham) — The Carnival is Over — ao vivo em 1967

27/12/14

Neil Young II

Na segunda parte do artigo dedicado a Neil Young, proponho a audição de 4 temas alimentados por instrumentação "eléctrica", embora não necessariamente tocados a um ritmo acelerado. À semelhança do que sucedeu com as 4 sugestões acústicas na mensagem anterior, esta escolha não ambiciona apresentar um conjunto representativo da diversidade e alcance de Young enquanto criador ou intérprete de música – a extensão e irregularidade da sua obra impossibilitam essa hipótese – e ainda bem, até porque o patamar de qualidade é bastante vasto – mas antes proporcionar outro breve encontro (que para alguns significará um reencontro) com 4 temas que me agradam particularmente na sua discografia, e de entre muitos outros por onde também podia ter optado sem remorso. A minha dificuldade não esteve em encontrar temas válidos, esteve em determinar quais deviam permanecer de fora desta mini-selecção. O último destes clips - e o único videoclip "oficial" que apresento - tem uma escolha de imagens com um certo anacronismo caricato, ou seja, com muita piada!


Cinnamon Girl - do álbum  Everybody Knows This Is Nowhere, com os Crazy Horse - 1969

Powderfinger  - do álbum Rust Never Sleeps, com os Crazy Horse - 1979

Act of Love - do álbum Mirror Ball, com os Pearl Jam - 1995

 Psychedelic Pill - do álbum homónimo, com os Crazy Horse - 2012

21/12/14

Neil Young - I


Neil Young, nascido em 1945 no Canadá, encontra-se por esta altura entre os mais destacados e influentes compositores e intérpretes contemporâneos, ocupando um lugar verdadeiramente único no panorama musical popular, pela maneira liberta e multifacetada como se movimenta entre os universos Folk, Country, e Rock - e também entre os registos instrumentais acústico e eléctrico. Não é apenas que Young faça a aproximação ou reunião entre estes géneros de forma natural, é também que seja um autor destacado em cada um deles individualmente.

Young é facilmente reconhecível pelo estilo/sonoridade que debita da sua guitarra eléctrica, mas é reconhecível, antes de tudo, pela voz característica que nada mudou ao longo de quase 50 anos de carreira - uma voz que aparenta fragilidade e sensibilidade, com tendência de opção pelas regiões agudas (o que a torna particularmente pungente em temas sentimentais), mas flexível o suficiente para se tornar densa e autoritária em temas mais pesados e instrumentalmente preenchidos. Uma voz que não associaríamos de antemão à figura do homem (ou de um homem), mas que cai facilmente na nossa aceitação mal os temas começam tocar. Para além da guitarra, Young recorre com frequência ao uso de uma harmónica e de um piano, instrumentos que enriquecem o leque de soluções ao seu dispor, e por onde também passeia versatilidade e virtuosismo sem aparente esforço.

A sua extensa carreira musical, quer a solo, quer acompanhado pela sua banda de suporte, os Crazy Horse, conta em 2014 com 35 álbuns comercializados (fora os projectos em que colaborou com as bandas Buffalo Springfield - alguém se lembra deste hino? - e Crosby, Stills Nash & Young), está recheada de altos e baixos, de grandes sucessos e de grandes fracassos, foi sempre pautada pela determinação e coragem na procura de novos caminhos, e sempre amparada na necessidade de produzir/concretizar aquilo que a inspiração lhe sugere (a avaliação dos resultados, segundo Young - essa parte - deixa para os outros; a ele só lhe compete produzir). É frequente encontrarmos faixas que excedem os 7 e 8 minutos de duração nos seus álbuns (em Sleeps with Angels há um registo que ultrapassa os 14 minutos, e em  Psychedelic Pill outro que chega aos 27...!) - Young nunca se sentou à sombra do sucesso alcançado, tendo optado conscientemente por não estagnar no tempo, mesmo quando o seu génio criativo ditou um afastamento em relação ao público e à crítica, ou um corte radical face àquilo que havia produzido anteriormente. Neste aspecto, os anos 80 foram particularmente penalizadores e ingratos para com a faceta mais experimentalista de Young, uma travessia do deserto de quase 10 anos, e outros tantos registos considerados menores, iniciada após aquele que é o trabalho central definidor do seu percurso, e provavelmente seu melhor álbum de originais, Rust Never Sleeps, de 1979. Dá-se nele o encontro entre Country e Rock, entre acústico e eléctrico, entre o autor e o intérprete, entre artista e audiência, num jogo de afastamentos e aproximações entre elementos (nas suas palavras: «Out of the blue... Into the black») que tem tanto de conceptual como de vital/intrínseco e definidor para Young, o criador enquanto homem que interpreta o mundo... e o sonhador. É um álbum de originais, mas foi gravado ao vivo perante uma plateia, com os Crazy Horse como banda de apoio. Funciona como uma espécie de súmula daquilo que é/foi a sua carreira, e o tema que o inicia, de forma acústica, repete-se depois no final, com algumas pequenas variações na letra, em registo eléctrico, fechando um arco que indica um processo evolutivo, mas sem término à vista.


O álbum Freedom, editado em 1989, marcou a reabilitação artística de Young junto da sua massa de seguidores, um novo ponto de inversão comercial na carreira, e um primeiro sério indício daquilo que viria a revelar-se uma década fulgurante para o músico. Por essa altura começava a despontar em Seattle um novo tipo de sonoridade musical que definiria a primeira metade dos anos 90; bandas como os Nirvana e os Pearl Jam, os dois vértices mais destacados da era Grunge, apontaram Young com uma influência determinante no som que produziam. Young, por seu lado, acolheu este "apadrinhamento público" com entusiasmo, de forma muito natural, algo que não é de espantar, dada a aproximação notória entre a música de cariz experimental que vinha produzindo desde que lançara Rust Never Sleeps, e as influências do Punk na sonoridade do Grunge. Esta tangente entre Young e as bandas de Seattle alcançou o apogeu no álbum Mirror Ball, em 1995, numa associação aos Pearl Jam (sem Eddie Vedder), e já depois do tributo post mortem que o músico canadiano prestou a Kurt Cobain em Sleeps with Angels, de 1994. Os Pearl Jam, jovens à beira dos 30, então no auge da sua força criativa e sucesso comercial, encaixaram sem esforço no modelo intencionado por Young, que dobrava nesse ano os 50, permitindo elevar o "poder de fogo" da instrumentação de apoio para o degrau acima daquilo que os Crazy Horse normalmente lhe permitiam. A energia de uma juventude em plena efervescência a complementar a curiosidade de uma sabedoria confiante, mas ainda atraída pela experimentação. Não resultou na obra-prima que os fãs de ambas as partes eventualmente esperariam, mas saiu um álbum de rock preenchido e intenso, sem momentos mortos, sem abrandamentos no ritmo ou espaços de silêncio, com dinâmica suficiente para "saber a novidade", em que se percebe o entusiasmo da reunião entre os envolvidos. E se Young ganhou dos Pearl Jam uma muralha cerrada de som à sua volta, a banda de Seattle ganhou por sua vez uma estrutura e uma coerência que não lhes encontramos em mais nenhum álbum, pré ou pós Mirror Ball. É um dos marcos na carreira de Young.

Em 1992, em sentido contrário à corrente de descargas eléctricas, distorção e rock pesado que definiu os álbums de Young desse período, surge a serenidade acústica de Harvest Moon, o sucessor espiritual de Harvest, e um  retorno do músico a um registo Folk e Country que não se lhe ouvia desde quase há uma década. Harvest Moon é um disco composto maioritariamente por baladas nostálgicas, e tem na sua primeira metade alguns dos melhores temas acústicos interpretados por Young.

Para quem não conhece o trabalho de Neil Young, e dada a diversidade e extensão do seu reportório, importa destacar ainda três álbuns míticos, gravados todos em sequência, na fase inicial da sua carreira, e porventura aqueles que contribuíram de forma mais decisiva para a sua revelação e afirmação no meio: Everybody Knows This Is Nowhere (com os Crazy Horse - 1969)After the Gold Rush (1970) e Harvest (1972). É deles também que vou escolher alguns dos temas a apresentar de seguida - nesta mensagem caberão 4 temas "acústicos", e na seguinte mais 4 temas "eléctricos". Não são suficientes para abarcar/revelar Young no seu conjunto como desejaria, mas representam um bom primeiro princípio orientador, ou assim o espero.


After the Gold Rush, do álbum homónimo - 1970



Old Man, do álbum Harvest - 1972


Sail Away, do álbum Rust Never Sleeps - 1979

From Hank to Hendrix, do álbum Harvest Moon - 1992

13/10/14

Recordações de uma America esquecida

Uma fotografia mítica, captada no filme Heartworn Highways (1981)

Townes Van Zandt (1944–1997) é apontado como um dos grandes letristas, compositores e intérpretes da música Folk/Country americana do século passado, chegando ser comparado a Bob Dylan (que admirava, e por quem era admirado) no que respeita ao virtuosismo poético, de cariz autobiográfico, que dominava grande parte dos seus temas. O seu nome permanece contudo largamente desconhecido nos dias de hoje, invisível fora do circuito musical mais próximo ao género Country – uma figura de culto que, mesmo depois de ter recebido uma certa atenção mediática póstuma (assinalada, entre outros registos, no aclamado documentário Be Here to Love Me, de 2004), parece ter regressado ao lugar espectral que sempre ocupou em vida: nunca chegou a ter um hit digno desse nome ao longo de toda a carreira, nem nenhum dos seus albuns registou um sucesso assinalável de vendas, e os seus temas de maior popularidade (com destaque para Pancho and Lefty) apenas chegaram ao tops através de covers feitos por outros artistas. A enorme influência e reconhecimento que teve dentro meio, entre pares, não chegou junto do grande público com o mesmo impacto. A Townes Van Zandt não chegou sequer uma oportunidade fugaz que o resgatasse da escuridão, como sucedeu a Sixto Rodriguez (a.k.a. Sugar Man) após décadas de esquecimento. 

Morreu cedo, aos 52 anos, vítima de abuso prolongado de drogas duras e álcool, e de uma vida nómada carregada de dor e sofrimento (Van Zandt viu-se desde cedo privado das recordações de infância, apagadas por efeito de um tratamento de insulina para a bipolaridade), parcelas de angústia somadas que transparecem a cada palavra entoada, enquanto em seu redor se erguem melodias singulares a dedos de guitarra, transfiguradoras de sentimentos e emoções. A dor contida nestas canções é terna mas incomensurável, ancorada no coração da província americana e no interior de uma alma despedaçada.

Não sou admirador ou conhecedor de música Country, mas há temas e nomes que consigo apreciar sem reservas, calhe cruzar-me com a audição de um seu registo, e Townes Van Zandt é um desses casos. Deixo quatro sugestões a servirem de cartão de visita, temas que me são particularmente caros na discografia deste autor - escolhas em todo caso difíceis, considerando as dezenas por onde poderia ter optado sem prejuízo para este "pódio". Destaque para as fabulosas melodias (por vezes de uma beleza atroz e dilacerante, veja-se a primeira de todas), para o dedilhar limpo na guitarra, e para as letras e construção poética dos textos.


(Quicksilver Daydreams of) Maria – do álbum Townes Van Zandt – 1969


Pancho and Lefty – do álbum The Late Great Townes Van Zandt – 1972 (aqui em versão ao vivo)


eminente

"eminente", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, https://www.priberam.pt/dlpo/eminente [consultado em 13-10-2014].

Our Mother the Mountain – do álbum homónimo (1969)


Fare thee well, Miss Carousel – do álbum Townes Van Zandt – 1969


Geraldine & Townes - circa 1977


Nota final: esta entrada no blogue deve a sua existência ao programa da TSF, "Zona de Conforto", de 10 de Outubro passado, apresentado por Pedro Adão e Silva

13/04/14

Grunge is dead!... or is it?

 Eddie Vedder na capa da revista TIME, edição americana de 25 de Outubro de 1993

O Grunge não tem nos dias de hoje expressão cultural ou musical significativa em lado nenhum — é  um género marginal, ultrapassado e demodé face às tendências musicais contemporâneas —  mas os efeitos da explosão que abalou Seattle em finais do século passado, na transição dos anos 80 para os 90, continuam a fazer-se sentir. A música de umas quantas bandas mainstream que sobreviveram ao passar dos anos, e que resistem ainda, cada uma à sua maneira, continua a justificar o que se fale de Grunge hoje em dia, mesmo que o mundo tenha mudado irrevogavelmente nestas duas décadas, e ainda que o termo continue a ser tão cómodo de usar como ilusivo nas suas delimitações orgânicas. Digamos que é, ou foi relativamente simples (para os media, para as editoras discográficas, para um público adolescente sedento de ícones...) definir umas quantas características comuns, quer a nível de sonoridade musical (a mistura entre o legado do punk, o underground e o heavy-metal), quer a nível de temáticas abordadas (a desilusão com o sentido da vida manifestada através da raiva e do negrume, por exemplo), e agregar em seu redor uma série de talentos emergentes que surgiram, coincidentemente, por volta da mesma altura num mesmo espaço geográfico: Seattle — mesmo considerando os outsiders que se viram, propositadamente ou não, associados ao movimento (os Stone Temple Pilots, por exemplo, que nos primeiros anos soavam a uma mistura entre Alice in Chains e Pearl Jam, mas que não eram originários de Seattle) ou outros que de alguma forma tenham ficado mais expostos por conta dele (os Sonic Youth e os Smashing Pumpkins). É muito mais esta coincidência espacial e temporal que une e agrega estas bandas num mesmo espaço conceptual imaginário(!) do que propriamente as suas semelhanças a nível musical, já que há evidentes disparidades entre o som de cada uma. Seattle transformou-se durante uns anos na Meca da cena musical, local de culto e de peregrinação onde centenas ou milhares de bandas wannabe visitantes viram sonhos de fama e glória caírem impiedosamente por terra. A "história do Grunge de Seattle" está de resto extensamente explorada e documentada em infindáveis artigos de imprensa publicados desde essa altura; penso que valerá a pena destacar, ainda assim, o esclarecedor documentário Hype!, realizado por Doug Pray em 1996, bem como as duas incursões de Cameron Crowe, na senda da definição vital do movimento a partir do seu interior, uma com o filme Singles (1992) e outra com o documentário Pearl Jam Twenty (2011).

Dave Grohl, Kurt Cobain e Krist Novoselic, os Nirvana

Passaram vinte anos desde a morte de Kurt Cobain (suicidou-se a 5 de Abril de 1994), líder e vocalista dos Nirvana, indiscutivelmente a face mais mediática do Grunge. Fora as opiniões nem sempre concordantes sobre a capacidade, talento e génio criador de Cobain, é consensual que o álbum Nevermind (1991) e mais o mítico tema Smells Like Teen Spirit, o «hino do Grunge», constituíram os responsáveis maiores pela ascendência meteórica e popularização do género um pouco por todo o mundo, sendo que, por esses dias, já um intenso "burburinho" predatório de aproveitamento comercial pairava sobre Seattle, virtude da emergência do tal conjunto de talentos musicais que começavam a afirmar-se perante audiências mais vastas, fora do circuito fechado da cidade. Bandas como os Mudhoney (ramificação dos Green River, de onde também descenderiam os Mother Love Bone e mais tarde os Pearl Jam), os Soundgarden, os Alice in Chains e os Screaming Trees viriam a definir o estilo musical proeminente nos E.U.A. na primeira metade dos anos 90. A partir de então, quase tão depressa como começou, o Grunge enquanto conjunto plural, musical e cultural, evaporou-se quase sem deixar rasto, como se de uma moda passageira se tratasse (e de certa forma foi isso mesmo que sucedeu, um termo cunhado pelos media que degenerou numa mo-e-da). O legado musical, contudo, permaneceu, bem como a persistência de algumas bandas em serem fiéis às suas raízes, apesar dos seus tempos de juventude terem terminado há muito e das questões prementes que acompanharm esses momentos iniciáticos terem porventura cedido lugar a outras frustrações, associadas a etapas e incertezas mais tardias da vida («Teenage angst has paid off well / Now I'm bored and old...»).

Será que o que resta hoje dia dessas bandas merece ser destacado sem que necessitemos de mencionar a data da morte de Cobain como pretexto? Sim. Mais nalguns casos do que noutros, como seria espectável, mas não deixa de haver uma certa reminiscência nostálgica associada aos saudosos tempos em que nada mais interessava no panorama musical, e que atinge agora, por arrasto, mesmo as situações menos entusiasmantes.

Os Alice in Chains perderam grande parte da chama e do poder criativo no momento em que o vocalista Lane Staley morreu, em 2002, numa altura em que já não havia propriamente uma banda — o último álbum de originais datava de 1995 e o último concerto em público digno de nota sucedera com o Unplugged, em 1996. Em 2006, quase dez anos depois da última aparição, a banda começou novamente a dar sinais de vida, com William DuVall a ocupar lugar de Staley como vocalista. E se neste papel DuVall está como peixe na água, com um timbre que ao mesmo tempo faz recordar o de Staley e se enquadra bem no estilo musical pesado e negro da banda, a energia criativa do grupo parece ter desaparecido com a morte de Staley, uma responsabilidade que Jerry Cantrell não consegue preencher a sós, por mais habilidoso que seja na guitarra. Foram lançados dois albuns de originais com este novo alinhamento, Black Gives Way to Blue (2009) e The Devil Put Dinosaurs Here (2013) mas tanto um como outro são pálidas amostras daquilo que um dia foram os Chains (dos tempos de Facelift, 1990 e Dirt, 1992), apresentando temas que pouco se distinguem uns dos outros e em que a raiva sonora incontida de outros tempos dá lugar a um ambiente pesado algo anémico que parece resultar apenas do conformismo em definir um patamar expressivo. Ainda assim, valem a pena uma audição atenta, mais no caso do último álbum.

Hollow - Alice in Chains - 2013

Os Pearl Jam, que desde o desaparecimento dos Nirvana são a banda de Seattle com maior sucesso e reconhecimento comercial junto do público, apesar de terem passado por vários períodos atribulados de redefinição da sua essência sonora, e de já pouco restar da ambiência inicial definida em Ten (1991), têm conseguido comercializar álbuns de originais com alguma constância e larga aceitação. A última dessas propostas, Lightning Bolt, é bem recente, data de finais de 2013, e conta com um tema que por esta altura já terá queimado os timpanos aos ouvintes de rádio de tantas vezes que passa: a melíflua balada Sirens. Os Pearl Jam actuais são uma banda fortemente descaracterizada, em que a ligação entre os instrumentos, apesar de enérgica, se tornou numa amálgama indistinta, rotineira pelo hábito de anos a tocar em conjunto, e que está de certa forma resignada e amparada num patamar comercial de destaque que foi conquistando ao longo do tempo — em suma: sem identidade. O seu último marco digno de registo sucedeu em 1998, com Yield; a partir de então, cada novo trabalho tem-se revelado uma desilusão, sempre com um ou dois temas que merecem algum destaque, mas com os restante a servirem para encher o chouriço. Apesar de tudo, mais pelo afecto nostálgico que nutro por esses primeiros tempos de actividade, e que teima em não me abandonar, lá os vou ouvindo com alguma expectativa e desejo de conciliação.

Mind Your Manners - Pearl Jam - 2013

Os Screaming Trees, uma das bandas que ajudaram a definir e consolidar as raízes do Grunge em Seattle, formada em 1985, desapareceram de vez em 2000, por opção própria do membros, e por aparentemente terem chegado ao limite das suas capacidades enquanto grupo criativo com saída comercial. O último álbum que lançaram "em vida", o refinado, harmonioso e instrumentalmente complexo Dust, data de 1996. Mais recentemente, em 2011, e sem que a banda se tenha reunido para a ocasião, foi lançado o trabalho que haviam estado a preparar em 1998 e 1999, e que não chegou nessa altura a ver a luz do dia: Last Words: The Final Recordings. Contando com a voz cavernosa e ressonante de Mark Lanegan, um disco "novo" dos Trees constitui sempre uma proposta musical que não se recusa, ainda que não haja desta vez um tema que se destaque de forma mais evidente ou um grande hit comercial, como sucedeu nos dois álbuns anteriores — algo que em todo caso pode ser interpretado pela positiva.

Crawlspace - Screaming Trees - 199?

Mesmo que não tivessem feito mais nada ao longo da sua carreira, os Soundgarden ficariam para a história por conta de um dos melhores álbuns de heavy-metal dos anos 90, uma obra-prima que dá pelo nome de Superunknown (1994), e que merece figurar entre os grandes discos da era Grunge, ao lado de In Utero (1993) dos Nirvana e de Ten (1991) dos Pearl Jam (esqueçam por momentos o pop pós-apocalíptico e radio-friendly de Black Hole Sun e ouçam os outros temas do álbum!). Influenciados por gigantes dos seventies como os Led Zeppelin e os Black Sabbath, os Soundgarden foram a banda de Seattle que melhor souberam tirar proveito da pujança sonora de riffs pesados e agressivos, conjugado-os com ambiências harmónicas e melodiosas resultantes de um certo experimentalismo psicadélico, contando para isso com o rugido vocal autoritário de Chris Cornell e com a inventividade criativa de Kim Thayil na guitarra. Separaram-se em 1997, alegando diferenças criativas, depois do álbum Down on the Upside (1996) ter ficado longe da genialidade de Superunknown. Cornell prosseguiu uma carreira a solo e chegou a juntar-se a ex-membros dos Rage Against the Machine para formarem os Audioslave, e Matt Cameron, o baterista, foi "adoptado" pelos Pearl Jam, numa das várias vezes em que se viram sem um ocupante para o cargo (Cameron faz neste momento parte das duas bandas...). Os Soundgarden  tornaram a reunir-se em 2010. O seu mais recente trabalho, King Animal, data de finais de 2012, e se por um lado fica aquém de Superunknown ou mesmo de Badmotorfinger (1991), representa por outro um regresso à boa forma que os caracterizou no início dos anos 90, e a um espaço musical distinto, fora do seu tempo, que não tem outros intérpretes nos dias de hoje.

 Bones of Birds - Soundgarden - 2012

Deixei o melhor para o fim: o mais recente disco dos Mudhoney, um grupo que permaneceu teimosamente irredutível nos seus princípios musicais ao longo de mais de 25 anos de actividade, iguais a si próprios, iguais ao que foram nos momentos iniciais da sua formação, uma banda que sempre rejeitou os holofotes da fama, não fez concessões perante nada nem ninguém, e que representa a vertente mais crua, niilista e corrosiva do Grunge, próxima talvez daquilo que será a vocalização prática da significância do termo, um registo que terá influenciado Cobain no estabelecimento da identidade musical de Bleach (1989), o álbum de estreia dos Nirvana. É de resto bastante notória a aproximação sonora entre as duas bandas nesse tempo que antecedeu Nevermind. Não será também por acaso que é atribuída a Mark Arm, o vocalista-voz-de-ratazana do conjunto, a primeira instância mediática em que terá sido usada a palavra Grunge. Os Mudhoney conseguiram manter uma invulgar homogeneidade e coerência no output instrumental e na qualidade estética da música que produziram ao longo de toda a carreira, atingindo no ano passado um inesperado pico criativo com o nono álbum de originais (o sexto sob a égide da lendária Sub Pop): Vanishing Point. Parece que os anos não passaram por eles, dada a energia corrosiva irónica presente nos temas (... I Like it Small, Douchebags on Parade e Sing this Song of Joy... ), que larga impunemente napalm sobre a face comercial mais exposta de Seattle, e que faz em certos momentos lembrar a força electrizante e raivosa do punk dos Stooges. Pop isto não é...

The Final Course - Mudhoney - 2013

A fechar, deixo um pequeno concerto dos Mudhoney com a  baía de Seattle como pano de fundo, que em cerca de meia-hora faz uma súmula coerente da identidade inconformista do grupo: aqui. Começa com Touch Me I'm Sick, como não podia deixar de ser.

04/04/14

E a Valsa Continua, cinquenta anos depois

Eis um extraordinário "encontro cultural" que não se vê/ouve todos os dias...



... talvez para apreciar serenamente, enquanto se saboreiam umas iscas, acompanhadas de favas e Chianti...

30/01/14

Oldies intemporais - por Sam Cooke, The Ronettes e Les Surfs

Calhou ter ouvido esta semana que passou, no programa da TSF "A Playlist de...", a escolha musical do actor e DJ português Nuno Lopes (a emissão pode ser integralmente escutada online aqui). Também calhou - de vez em quando estas coisas acontecem - partilhar o meu gosto e entusiasmo por dois dos títulos que passaram, dois temas dos sixties que perduraram até aos dias de hoje, envelheceram bem, grangeando reconhecimento e "estatuto" um pouco por todo o lado.

O primeiro tema intitula-se Be My Baby, foi cunhado pelas (The) Ronettes em 1963, e, segundo consta nos registos históricos, levou a mente criativa dos Beach Boys, Brian Wilson, a considerá-la a melhor canção pop alguma vez produzida. Que me recorde, ouvi esta música pela primeira vez quando, também pela primeira vez, vi o filme Mean Streets - Os Cavaleiros do Asfalto (Martin Scorsese 1973) - faz parte da sequência de apresentação - e fiquei logo por essa altura preso à sua energia contagiante e aos seus encantos (música e filme).


The Ronettes - Be My Baby

Muitos anos volvidos, eis que uma cover espanhola do tema, interpretada pela banda Les Surfs (originária de Madagascar), surge como polarizador emocional no filme Tabu, de Miguel Gomes (2012), uma obra singular no cinema português, que aproveita da melhor forma a melodia para traduzir aquilo que as imagens sugerem e as palavras nem sempre traduzem - sendo inclusivamente tocada por uma banda ficcional dentro do filme. E é de facto uma bela cover.


Les Surfs - Tú serás mi baby

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O segundo tema que aproveito da playlist de Nuno Lopes, A Change Is Gonna Come, foi gravado em 1964, lançado após a morte do seu intérprete (nesse mesmo ano, em circunstâncias ainda envoltas em polémica), e viria a tornar-se um hino do movimento de luta pelos direitos civis na América em anos decorrentes. Sam Cooke (uma voz fabulosa) inspirou-se em Blowing in the Wind, intepretado por Bob Dylan, bem como na sua ressonância e significância anti-racismo, para compor este tema imortal. Para ouvir alto, como toda a grande música...

Sam Cooke - A Change Is Gonna Come

De Sam Cooke proponho agora um tema mais "leve" (mas talvez não menos sedutor), gravado em 1960: Wonderful World (não confundir com What a Wonderful World, de Louis Armstrong, 1967). Invariavelmente, foi através do cinema, numa altura em que não havia Internet, que me cruzei, para sempre, com ele. O filme intitula-se Witness - A Testemunha (Peter Weir - 1985), e esta feel-good-love-song acondiciona adequadamente uma sequência chave no enredo.


Sam Cooke - Wonderful World

29/12/13

Led Zeppelin


John Bonham (bateria), Robert Plant (voz), Jimmy Page (guitarra) e John Paul Jones (baixo, teclado).

Travei conhecimento com os Led Zeppelin da forma que presumo ser a mais popular entre os soon-to-be-fans da banda: alguém me passou uma cassete com uma série de temas de vários artistas (nos tempos em que esse suporte era moeda corrente nas gravações de e para amigos) e lá para o meio, misturada entre as demais desconhecidas, sem qualquer contexto ou destaque, aparecia Stairway to Heaven. Até podia ser que os restantes trabalhos da banda não prestassem para nada (viria a descobrir mais tarde que não era assim, e que os Zeppelin, no auge da sua carreira, primeira metade dos ano 70, suplantaram os Rolling Stones em discos e bilhetes para concertos vendidos), mas aquele som em específico significou, naquele momento em que o ouvi pela primeira vez, uma verdadeira escadaria até ao céu - nunca havia experienciado nada que remotamente se assemelhasse àquilo. Começava com uma melódica suavidade acústica dedilhada por Jimmy Page, acompanhado por uma flauta serena e pela voz, em plena contenção, de Robert Plant, e terminava, finda a "escadaria" e o crescente instrumental progressivo, numa explosiva orgia eléctrica de texturas e cores. Assim que acabou, volvi o walkman atrás e repeti a audição... e depois repeti-a mais uma série de vezes. Com uns invulgares 8 minutos de duração, Stairway to Heaven é a composição mais popular de uma das bandas de rock/heavy-metal mais importantes e influentes de sempre, mas é apenas um caso de excelência entre os muitos que há para descobrir (para quem não conheça o grupo, obviamente). 

 A capa do primeiro album (sem título) - 1968

A sonoridade típica dos Zeppelin, mantida num espaço espantosamente homogéneo ao longo de toda a carreira (mesmo considerando as naturais evoluções instrumentais), é grave, volumosa e bastante preenchida, com cada instrumento a ocupar um espaço simultaneamente protagonista e complementar em relação aos restantes, numa harmonia pesada, poderosa e constante que os aproxima daquilo que pode ser chamado heavy-metal (género de que aliás são precursores).  E contudo, não é bem isso que é, ou não é "apenas" isso. É heavy e é metal, sem dúvida, pelo menos em grande parte do reportório, mas é também folk, blues e "simples" rock'n'roll, tudo misturado, e apresentado por vezes em baladas serenas e "doridas" que contrariam as bases do género, mas que ao mesmo tempo não deixam de lhe estar próximas.


A capa de Houses of the Holy - 1973  - inspirada na obra de Ficção Científica Childhood's End, de Arthur C. Clarke

Os Led Zeppelin estiveram reunidos enquanto banda entre 1968 e 1980, ano em que John Bonham faleceu. Desde então os restantes membros têm aparecido juntos em reuniões esporádicas e concertos ao vivo.

Vou resistir à tentação de colocar aqui o tema Stairway to Heaven (e o mesmo em relação ao curiosíssimo The Battle of Evermore), e vou optar por temas mais "normais" dentro daquilo que será a sua identidade sonora.

Good Times Bad Times,  do álbum I - 1969


Celebration Day,  do álbum III - 1970


Kashmir,  do álbum Physical Graffiti - 1975

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Deixo ainda uma parte do tributo da presidência dos Estados Unidos no "Kennedy Center Honors" aos Led Zeppelin. A cerimónia decorreu a 26 de Dezembro de 2012, contou com actuações dos Foo Fighters, Kid Rock, Lenny Kravitz e das Heart a interpretarem temas da banda, e com Jack Black a apresentar.


10/12/13

Ainda sobre Shutter Island...

... para referenciar a adequação da banda sonora, escolhida por Robbie Robertson, antigo guitarrista dos The Band, e amigo e colaborador de Scorsese desde que este filmou o concerto de despedida da banda em The Last Waltz. É formada por um alinhamento de temas dispersos, reunindo temas clássicos e modernos não originais (não foram compostos para o filme), e que no seu conjunto criam a ambiência onírica certa para acondicionar os dilacerados estados de alma de Teddy Daniels (DiCaprio).

A primeira sugestão que deixo, da autoria do compositor poláco Krzysztof Penderecki, será facilmente reconhecida por quem tiver visto o filme. É a peça responsável pelo compasso sinistro e sombrio que envolve Teddy no momento em que está prestes a iniciar a investigação (e que se faz ouvir também mais tarde, noutros momentos ao longo do filme). De início começamos por imaginar que seja a sirene do ferry-boat a sinalizar a aproximação a terra, mas o som prolonga-se à medida que penetramos no mistério da ilha e no pesadelo demente do seu conhecimento.


Outra sugestão é o tema escolhido para acompanhar os créditos finais, This Bitter Earth, segundo uma interpretação de Dinah Washington que data de 1960, aqui sobreposta ao tema On the Nature of Daylight, de Max Richter, publicado em 2004. Após a decisão tomada conscientemente pela personagem de DiCaprio ao fechar do pano, seria difícil acertar mais perto do centro do alvo no que respeita a um invólucro emocional trágico e sereno apropriado à ocasião, tanto no plano melódico e instrumental, como na letra.


This bitter earth
Well, what fruit it bears
What good is love
Mmmm that no one shares
And if my life is like the dust
Oooh that hides the glow of a rose
What good am I
Heaven only knows
Lord, this bitter earth
Yes, can be so cold
Today youre young
Too soon, youre old
But while a voice within me cries
Im sure someone may answer my call
And this bitter earth
Ooooo may not
Oh be so bitter after all

30/11/13

"Fora de tempo"

De entre os temas que me propus abordar no Câmara Subjectiva, a Música é aquele em que me encontro menos confortável, o que menos domino - ou não domino de todo, será mais adequado dizer - aquele sobre o qual tenho menos conhecimentos técnicos, históricos ou contextuais, e em que me custa mais encontrar palavras para definir o sentimento artístico/intelectual que me inunda enquanto dele me alimento. Não sei justificar por que é que gosto da música que gosto, de onde surgiu esse gosto, nem por que razão nele encontro pontos de contacto e de afastamento tão amplos e tão inacreditáveis entre os intérpretes e bandas que aprecio. 

Tentando pensar racionalmente, e de uma forma geral, a melodia e a harmonia instrumental/vocal são talvez as características que valorizo mais num tema, e a letra e a temática aqueles a que ligo menos (mesmo que delas possa gostar à mesma). A conversa que se estabelece entre os instrumentos, os diálogos entre eles que se distinguem no meio dessa conversa, as vozes individuais de cada um deles (e as vozes dos intérpretes, naturalmente), o ritmo, a harmonia, a capacidade que tem de ordenar ao nosso corpo para que se mexa, sobrepondo-se às ordens conscientes do cérebro. Mas às vezes, ou muitas vezes, um refrão, a sonoridade de um instrumento em particular, a voz de um(a) artista, a sua fragilidade, ou potência ou amplitude. Porquê aqueles em concreto? Não sei.

Se por um lado as minhas "raízes musicais" estão ligadas ao início dos anos 90 e à explosão cultural originada em Seattle a que deram o nome de Grunge (foi nessa altura, já bastante tardiamente na minha vida, diria, que despertei de facto para música), é contudo nos anos 60 que encontro o meu templo espiritual - onde estão reunidos o maior número de intérpretes, bandas e temas de que gosto. A música que se produz actualmente - seja de que género/intérprete/banda - não me fascina, não me interessa, não me cativa, não me toca (passe a inversão de sentido). Como em tudo, naturalmente há excepções. A excepção que importa referir a este propósito tem a ver com a Música produzida para Cinema - por estranho que pareça (ou se calhar não tanto, olhando para o tipo de mensagens aqui publicadas no blogue), é por via das imagens que me chega o gosto por esse segmento específico dentro da Música.

Voltando aos sixties: são eles a razão desta mensagem - é neles que se vai centrar a esmagadora maioria das abordagens sobre Música que por aqui se publicarão - e nada mais justo e apropriado do que começar pela Banda, por Aquela que me enche mais as medidas, A que tem o maior número de temas de que gosto, A que tem o maior número de álbuns em que gosto de todos os temas sem excepção, A que consigo ouvir mais tempo seguido, Aquela a que torno com mais frequência para encontrar uma zona de conforto e paz interior. A Banda... Os Beatles. (por uma questão de "jeito fonético", excusar-me-ei de os tratar por The Beatles, perdoem-me os puristas da língua...) 


Os Beatles, em conjunto com os (The) Rolling Stones, protagonizaram a grande revolução cultural dos anos sessenta na qualidade de "cabeças de cartaz", transpondo as barreiras da música e as fronteiras entre países para influenciar os hábitos diários de milhões de fãs por todo o mundo (o Japão é um caso curioso neste panorama). Se no início dos anos sessenta o tom que caracterizava a banda (e os primeiros três ou quatro álbuns) se centrava quase exclusivamente em temas românticos pop/rock que incendiaram plateias de jovens histéricas (muito bons temas, há que o referir), com o passar dos anos, o natural apuramento das qualidades técnicas e o aprofundar das relações de amizade e hábitos de trabalho entre John Lennon, Paul McCartney, Ringo Starr e George Harrison (pela ordem na foto) levaram a um período de inovação e experimentalismo (iniciado no álbum Rubber Soul - 1965) que galgou e misturou géneros, revolucionou toda uma era e deixou um legado cultural que ainda hoje persiste. Os Beatles separaram-se em 1970, não tendo voltado a actuar mais em conjunto. A lista de recordes batidos/mantidos pela banda é extensa, e quase custa a acreditar nos números apresentados, tendo em contar a época em que sucederam, mas penso que seja muito mais pela qualidade da música e imortalidade de alguns temas que a banda será recordada no futuro.
Seria relativamente simples escolher referências de entre os temas mais conhecidos e óbvios da banda para "despejar" aqui (Twist and Shout, Love Me Do, Yesterday, Eleanor Rigby, Yellow Submarine, All You Need is Love, While My Guitar Gently Weeps, Hey Jude ou Let It Be vêm sem grande esforço à memória), mas não é de todo isso que pretendo deste espaço - é antes dar a conhecer outros menos divulgados, representativos dos vários estádios musicais por que passou, mesmo que no caso d'Os Beatles isso seja uma tarefa ingrata. Quatro temas, um por cada membro da banda:


I Saw Her Standing There, do álbum Please Please Me - 1963 

Think for Yourself, do álbum Rubber Soul - 1965

She's Leaving Home - do álbum Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band  - 1967

I Me Mine, do álbum Let It Be - 1970