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27/04/18

Comemoração do 25 de Abril - Desfile Av. da Liberdade 2018

Registo fotográfico da marcha popular entre o Marquês de Pombal e o Rossio, nas comemorações da Revolução do 25 de Abril de 1974.

Desfile onde se juntaram povo e instituições, personalidades políticas e culturais, hinos populares e vozes de contestação, e onde se exibiu um vasto conjunto de mensagens e iconografia revolucionária, com simbologia nem sempre representativa da Revolução dos Cravos - coisa de extremos, garantidamente - entre pins com o rosto do sanguinário Lenine (estariam os alfinetes com o rosto de Thomas Jefferson esgotados?) e a maçã dentada na traseira dos iPhone.

Equipamento utilizado: Canon 6D + 24-105mm 1:4 L
Tratamento de edição em Adobe Photoshop Lightroom 5.6


(clique nas imagens para aumentar)




























27/02/17

Anoitecer no Miradouro do Moinho das Três Cruzes do Calhau

Resultados de uma deslocação recreativa com um amigo, ao final do dia, bem ao centro de Lisboa. Para tirar o pó à máquina. Sequência de registos separados entre si por minuntos.

Equipamento: Canon 6D + Canon 24-105 f/4 + Tripé
Tratamento de edição em Adobe Lightroom 5.6, a partir de imagens em RAW

(click para aumentar)






18/10/14

Simetrias Assimétricas

Duas variações de perspectiva sobre um mesmo espaço arquitectónico.

Confronto entre formas geométricas, sentidos de orientação de linhas e disposições no plano. Confronto ainda entre preto e branco. Algures no espaço intermédio: betão, ferro, vidro, plástico e linóleo.



Equipamento: Canon 6D + Samyang 14mm f/2.8
Tratamento de edição em Lightroom 5.6, a partir de uma mesma imagem em RAW

07/09/14

Sulcos - Lisboa - Harsh Light

 «A primeira vez que vi a cidade de Lisboa, pensei comigo, Esta terra é como uma madama que tem de ser engatada com muito jeito, Nada de pressas, Nada de deitar a mão antes do tempo, É preciso andar devagarinho, com o olho vivo, e não cheirar dos pés...» - in Os Verdes Anos, de Paulo Rocha

Trabalho de exposição/narração gráfica sobre a zona de comunhão entre a geometria urbana de traçado e rigor matemático e a ordem/desordem aleatória da natureza. Linhas, artérias, vectores, caminhos partilham um território sem fronteiras definidas - convivem numa paisagem orgânica eclética, em constante mutação, uma "selva de pedra". No ponto mais central desta teia nevrálgica, sulcos traçados e orientados pelo homem, com ajuda de maquinaria pesada, mas formados por terra, pó e calhaus, num esforço de imprevisível sustentação conjunta. No céu, as nuvens troçam do esforço humano construindo padrões repetitivos com aparente simplicidade. Um dia o homem quererá fazer delas também sua propriedade.






 




Equipamento utilizado: Canon 6D + Objectiva 24-105 1:4 L
Edição em Lightroom 5.2, a partir de ficheiros RAW

30/05/14

Sem solução à vista, mas com uma vista de fazer cair o queixo

The stone of the gate's two pillars had been badly broken and chipped away - by time and by vandals...
-
Philip Roth - Everyman


Para quem atravessa a Ponte 25 de Abril, sentido Sul-Norte, e enquanto vai rolando sobre o tabuleiro propriamente dito, já na plataforma descendente, o local avista-se ao longe, mesmo no topo da Serra de Monsanto, por entre as copas das árvores, um pouco à direita da torre de comunicações da PT. É um edifício invulgar, uma sentinela solitária algo anacrónica e imponente, e embora seja fácil não se dar por ele no meio da imensidão de distracções visuais e das densas texturas de vegetação que ornamentam a encosta litoral da serra, uma vez localizado o difícil é desviar olhos. Depois vamo-nos aproximando mais da cidade, a linha do horizonte eleva-se, e o edifício desaparece do nosso ângulo de visão. Não desaparece contudo da memória, nem da curiosidade de saber o que é.

O Restaurante Panorâmico de Monsanto (que também já foi "discoteca, bingo, escritório de uma empresa de filmagens e armazém de materiais de construção") encontra-se há largos anos votado ao abandono, apresentando marcas agudas de vandalismo, degradação e ruína. Apesar de várias tentativas por parte da gestão camarária para encontrar uma solução viável que permita recuperar/aproveitar o espaço, o montante monetário envolvido é proibitivo, e o tempo vai passando sem que nada fique resolvido. Nesta notícia do Diário de Notícias, datada de 2008, fala-se nuns astronómicos "20 milhões de euros para recuperar o espaço", e para quem já tiver tido a oportunidade de visitar o local esta verba nem parece assim tão avultada (i.e., suficiente), tendo em conta a complexidade da planta, o espaço físico ocupado (7000m²) e o seu estado actual de (des)conservação. Trata-se de um empreendimento gargantuesco. A julgar pelo que se encontra escrito aí pela net, ideias não faltam, mas o dinheiro e a iniciativa é que teimam em não aparecer. Recentemente, no mês passado, o Partido Ecologista "Os Verdes" apresentou uma recomendação à Assembleia Municipal de Lisboa, com o sentido de promover a viabilização do espaço. É meritório que não deixem o assunto cair no esquecimento, mas o que o texto não refere é que alternativas e caminhos em concreto propõe o partido para esse efeito. Há também um blogue do Movimento Fórum Cidadania Lisboa com uma série de artigos publicados, espaçados no tempo, a partir de 2008, sobre esta questão.

Um conjunto de características distinguem o restaurante de qualquer outro espaço urbano em ruínas, tornando-o magneticamente apetecível a adeptos das temáticas «urban decay»: a mais evidente destas características será a singularidade e beleza do projecto arquitectónico (da autoria do arquitecto Chaves da Costa), a que se associa de imediato uma certa megalomania e luxo conceptuais, bem como um contexto sócio-político salazarista que é impossível não vir à memória por arrasto (o restaurante foi inaugurado em 1968). Eis aqui alguns registos da época. Depois há a vista para a cidade. Um panorama deslumbrante a que o fotógrafo Rui Gaiola chamou, com autoridade e razão, de "a melhor vista que Lisboa pode ter." Não só é a melhor, como também a que alcança mais longe, a mais ampla e a mais variada — permite uma volta aí de uns 270º, só interrompida pelas instalações militares da força-aérea, situadas a norte. Esqueçam todos os miradouros espalhados pela cidade, Castelo de S. Jorge incluído, porque a imponência deste spot faz eclipsar qualquer experiência anterior de contemplação paisagística sobre Lisboa. É ver para crer, e é ver para querer voltar para mais. Por último, a arte. Por incrível que pareça, há três ou quatro peças de arte dentro do edifício — património com valor — que permaneceram miraculosamente intocadas pelo vandalismo: um painel de relevos colorido que cobre uma vasta parede (Figuras e cenas da cidade de Lisboa, 1965, da autoria de Manuela Madureira) e dois grandes painéis de azulejos (autoria de Manuela Ribeiro Soares) instalados no reduto panorâmico mais elevado, a "torre de vigia" que parece simular a ponte de comando de um navio, e que encima o edifício. Infelizmente, outras peças de relevo foram destruídas por graffitis homicidas, caso de uma pintura mural de 50m², de Luis Dourdil, situada no átrio de entrada principal do edifício, e da qual também não se distinguem já bem as cores na porção que ainda subsiste. Segundo consta, haverão também trabalhos do artista plástico Querubim Lapa, mas a inexistência de traços identificativos impedem-me de perceber quais são e onde se encontram.

Esta "promiscuidade" contextual e cultural intensa, assim como o espectáculo da degradação e do declínio, a agonia melancólica e solitária de um edifício em lenta decomposição, tornam o espaço num local incontornável para os apreciadores de fotografia que se interessem por estes temas — pretextos mais do que suficientes para explorar uma variedade de técnicas fotográficas diferentes, em contextos situacionais distintos (embora complementares pela partilha espacial), e também oportunidade para experimentar vários tipos de objectivas diversas e mais os estilos de edição que vêm sempre por arrasto nestas situações. As seguintes fotografias foram obtidas com uma câmara Canon 40D, em conjunto com as objectivas: Canon 10-22mm, Tamron 17-55mm e Samyang 8mm fisheye. Foi utilizado um tripé em algumas situações.


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Uma última nota para quem se sentir tentado a visitar o local: como em todos os casos de edifícios em estado de abandono e intensa degradação, é necessário ter presentes alguns cuidados, bem como a noção de que há um factor de risco associado a uma incursão por muitos dos seus recantos. No caso deste restaurante, os perigos são particularmente elevados: há desníveis significativos entre os pisos e as escadarias de acesso, dois poços de elevador sem qualquer porta a proteger de uma eventual queda, portas e aberturas na parede que dão literalmente para o "nada" (com quedas a chegarem a 7 andares), várias escadarias sem corrimão, o chão está coberto de cacos, estilhaços e extensas lâminas de vidro, bem como de restos de materiais de construção abandonados, peças de metal enferrujadas e retorcidas, lixo e detritos, os tectos têm todos pedaços da estrutura e do reboco a cair, alguns destes presos por meras tiras de papel de parede, etc, etc, etc. Uma pequena distração pode ser fatal. Aconselha-se calçado com sola grossa e uma lanterna com capacidade de longa duração, que pode dar jeito mesmo durante o dia, em locais interiores menos permeáveis a luz (dá jeito, em todo o caso, para explorar os pisos inferiores — agradece-se a quem descobrir a combinação do cofre...).