12/02/16

Vargtimmen - Ingmar Bergman - 1968

«The old ones called it "the hour of the wolf". It is the hour when the most people die, and the most are born. At this time, nightmares come to us. And when we awake, we are afraid.»

Vargtimmen - A Hora do Lobo é a singular incursão de Bergman pelo território do horror, não abdicando de incluir elementos fantásticos que associariamos, num "contexto normal", a um qualquer filme de vampiros. Contudo, conhecendo minimamente o cinema e as motivações de Bergman, seria impensável esperar que esta fosse uma vulgar fita de provocar medo, servindo-se para isso de criaturas aterradoras, de sustos e de efeitos visuais. Estas componentes marcam presença no filme, mas o medo e o horror intencionados brotam de outra génese: do desmoronamento do amor e do processo de crescente incomunicabilidade e afastamento entre um homem e uma mulher (território habitual no autor). Ele, Bergman, faz-se representar por Max von Sydow, e ela, Ullmann, intrepreta-se a si mesma. O filme será o retrato metafórico daquele momento específico na sua relação, três anos volvidos desde haviam atado uma união, e dois anos depois de Persona. Funciona como uma espécie de grito surdo contra o desespero, a solidão, e a impossibilidade de duas pessoas que se amam conseguirem permanecer juntas – (não) triunfando contra o mundo que conspira à sua volta. Segundo a opinião de Erland Josephson (uma da grandes figuras da "família Bergman", e um dos actores que fazem parte do elenco de Vargtimmen), apesar de toda a carga simbolica, o filme é dos mais directos do autor – o que equivale a dizer que os monstros e pesadelos ali mostrados são bem reais.

Bergman escreveu mais tarde no seu livro de memórias, Lanterna Mágica:

«No meu filme A Hora do Lobo tentei concretizar a cena que mais me impressionou nesta obra, A Flauta Mágica. É aquela em que Tamino é deixado sozinho no pátio do palácio. Está escuro, ele luta com dúvidas, está desesperado, e diz em voz alta: "Ó noite escura, quando porás fim às tuas trevas? Quando verei a luz nesta escuridão?"

(...)

Em A Hora do Lobo, a câmara regista os demónios que, devido ao poder da música, têm uns momentos de repouso. Depois a câmara fixa-se no rosto de Liv Ullmann. Para mim isso foi uma declaração de amor, terna mas com esperança.»

 











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